Pode me chamar de xenófobo, mas não dá para negar: argentino é arrogante. Eles estão apanhando há sete anos do mercado e as finanças públicas do país estão prestes a atingir um ponto crítico. Ainda assim, Cristina Kirchner continua a querer dar uma de durona. A verdade é que, não fosse Hugo Chávez e uma política velada de sacar dinheiro de "poupanças" do Banco Central e outras instituições do setor público e de forçar o INSS deles a comprar dívida do governo, a Argentina já teria entrado em outra crise como à que levou à moratória em 2002.
Tudo bem, o país está crescendo adoidado e o governo tem um superávit primário considerável. Mesmo assim, eles continuam precisando de dinheiro, e a julgar pela última venda de títulos que fizeram à Venezuela, vão precisar de mais ainda à medida que o governo dos Kirchner aumenta gastos para tentar recuperar a popularidade. Sem falar que os tempos de commodities a preço recorde estão acabando.
De acordo com um relatório que vi hoje do Lehman Brothers, a situação começa a ficar crítica em 2010, quando, mesmo tirando tudo o que podem das instituições públicas, o governo federal argentino precisa de mais de US$6.5 bilhões. Não sei se o Hugo Chávez vai querer dar tanto dinheiro assim à Argentina quando ele próprio vai estar preocupado com a reeleição. Nem mesmo com os juros de 15.5% que os argentinos lhe ofereceram numa transação recente.
Até lá, muita água vai rolar. Se Cristina Kirchner tomar jeito agora, quem sabe ainda consegue algum apoio do mercado internacional na hora do sufoco. Não precisa muito - investor estrangeiro tem memória curta. Contudo, por enquanto, a única coisa que ela tem feito é refrescar a lembrança do maior calote da história.
Há, pelo menos, um consolo. Se houver outra moratória, quem mais vai sofrer vai ser o investidor da própria Argentina, já que o grosso da dívida deles agora é interna. Seria bem-feito.
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