Wednesday, November 5, 2008

Obrigado, Bush


É isso mesmo. Esta noite o mundo todo tem de agradecer a George W. Bush.
Ele vai entrar para a história como o homem que passou o bastão do poder da maior economia do mundo a um homem negro. Mas também como o homem que criou as condições para que este homem chegasse ao poder da nação mais poderosa do planeta.
Sim, porque se não fosse pelo completo fracasso das políticas do atual governo dos EUA, Barack Obama não teria nem passado das primárias, quem dirá chegado à presidência. Se não fosse o Bush, o país não teria entrado numa recessão meses antes da eleição e os americanos não estariam com o saco cheio de ver seus soldados lutarem uma guerra que só beneficia as petrolíferas.
E temos de agradecer ao John McCain. Se não fosse pelo jeito intempestuoso dele e a mania de fazer decisões impulsivas, quem sabe ele não tivesse cometido erros que lhe custaram as eleições como dizer que a economia estava forte na semana em que houve um crash na bolsa ou escolher Sarah Palin como sua vice sem antes investigar melhor a vida dela.
E não esqueçamos de agradecer à Sarah Palin. Se ela não fosse a figura que é e não fosse completamente desconectada da realidade que existe além de sua cidade no Alaska, talvez ela até tivesse cativado os americanos e mudado o curso da história.
Mas agora vamos falar sério. Esta noite, estou orgulhoso de dizer que sou americano.
Obrigado Estados Unidos.

Friday, September 26, 2008

É o fim do mundo


Há algum tempo não escrevo aqui simplesmente porque estive tão pasmo com a seqüência de eventos recentes que não consegui parar para opinar sobre eles. Mas o que aconteceu ontem de noite me convenceu de que era hora de voltar ao meu humilde fórum.
Refiro-me à quebra do Washington Mutual. Em dez dias correntistas retiraram quase US$ 17 bilhões dos cofres do banco, forçando o governo a tomar o controle e vender os depósitos remanescentes ao JPMorgan por US$ 1.9 bilhão - trocado para a instituição que desde o século 19 salva o governo americano. Foi o maior banco comercial a quebrar na história do país.
Há algum tempo venho dizendo que estamos vendo outra crise do porte da que começou em 1929. Sempre que digo isso, uma amiga faz uma distinção otimista: "Naquela ocasião as pessoas correram aos bancos para retirar seus depósitos."
Pois os eventos de ontem acabam de eliminar essa diferença. Logicamente, em tempos de internet, a gente não viu filas às portas do Washington Mutual. As pessoas retiraram seus depósitos usando seus laptops, no conforto do lar.
Mas o resultado é o mesmo. E como o WaMu, outros virão.
Aliás, isso me lembra um caso que aconteceu esta semana e que me deu uma idéia da proporção que a crise atingiu.
Uma amiga me disse que seu professor de psicologia organizacional (alguém que não é economista, portanto), disse em sala de aula que o banco mais seguro para guardar seu dinheiro agora é o Chase, parte do JPMorgan.
O caso me deixou preocupado. Sempre se diz no mercado financeiro que quando seu motorista começa a discutir um investimento é sinal de que você já deveria ter saído dele pois aquilo virou uma bolha. Isso também vale no sentido inverso, ou seja, quando as pessoas comuns começam a querer agir para se proteger da crise é sinal de que a coisa perdeu o controle.
Sem contar que quem não está no mercado financeiro muitas vezes interpreta mal as notícias. Dou um exemplo. Outra amiga esta semana me perguntou se era verdade que o JPMorgan estava para ser vendido, já que ela tinha conta no Chase. Ela pensava no Morgan Stanley, instituição sem relação alguma ao secular banco comercial e que apenas por coincidência tem um dos nomes igual ao super-saudável JPMorgan.
O resultado é essa corrida aos bancos. E qualquer um que estudou um pouco de teoria econômica sabe o que isso significa. Posso resumir em duas palavras: deu merda. Me perdoem o vernáculo, mas tempos de crise exigem expressões fortes.
Aí, meus amigos me perguntam: então, em que pé estamos afinal? Os fatos falam por si.
A um mês da eleição presidencial o congresso americano tem de votar um pacote de emergência que é talvez a única luz no fim do túnel. Digam o que quiserem, acho que vai ser difícil alguma coisa acontecer antes de 4 de novembro. Não existe força mais poderosa e destrutiva que burocratas tentando tirar o seu da reta.
E enquanto isso, parafraseando Chico Science, o mundo explode.
Meu consolo é que o Ben Bernanke, presidente do Fed, fez a tese de pós-doutorado dele sobre a crise de 1929. Portanto, hoje, ele é a pessoa mais capaz de lidar com a situação no mundo todo - e tem o poder para fazê-lo. Contudo, não depende só dele.
Sei que estou me alongando aqui, mas quero só fazer uma última observação. É curioso ver como o governo republicano de George W. Bush adotou uma postura quase socialista para lidar com a crise. Eles nacionalizaram algumas das maiores instituições financeiras deste país e estão buscando poderes extraordinários para o Executivo.
Mas isso não deveria ser uma surpresa, já que o Robert Kurz vem prevendo uma mudança de paradigmas no capitalismo há muito tempo. Cito aqui, numa tradução livre de uma tradução para o inglês, um trecho de um artigo antigo dele, Imperialismo da Crise:
"Toda vez que uma fase de valorização (no capitalismo) se exaure, as instituições políticas, conceitos aferentes, e ideologias se tornam obsoletas."
Por fim, vou compartilhar com vocês uma série de citações que um esperto economista chileno recolheu sobre a crise de 1929 que me ajudaram a reavaliar a crise atual. estou com preguiça de traduzi-las, mas sei que vocês entenderão.

"We will not have any more crashes in our time."
John M. Keynes, October 1927.

"No Congress of the United States ever assembled, on surveying the state of the Union, has met with a more pleasing prospect than that which appears at the present time. In the domestic field there is tranquility and contentment...and the highest record of years of prosperity. In the foreign field there is peace, the goodwill which comes from mutual understanding."
President of the United States, Calvin Coolidge, on December 4, 1928, in his last message to the nation before handing over command to his successor Herbert Hoover, 10 months before the crash in the New York Stock Exchange and the Great Depression of 1929-33.

"I see nothing in the present situation that is either menacing or warrants pessimism... I have every confidence that there will be a revival of activity in the spring, and that during this coming year the country will make steady progress."
Andrew W. Mellon, United States Secretary of the Treasury, December 31, 1929, when the Great Depression had just begun, which would end only in World War II.

"Gentleman, you have come sixty days too late. The depression is over."
Herbert Hoover, President of the United States in June of 1930, in response to the petitions for the creation of a public employment program to stimulate a reactivation of the economy.

Tuesday, September 9, 2008

Tenebrosos ecos do passado


Lembrei como é sentir medo. Não consigo deixar de associar os acontecimentos dos últimos dias com aqueles de 40 anos atrás, cujo resultado foi trágico para o mundo e especialmente para nós, latino-americanos.
O anúncio de ontem de que a Rússia está estacionando seu mais poderoso navio de guerra junto com uma flotilha de apoio no Mar do Caribe para "exercícios navais" com a Marinha venezuelana me fez pensar na crise dos mísseis de Cuba. Aquele confronto, que na Rússia é chamada de "crise do Caribe", celebra 46 anos no mês que vem.
O resultado, para quem não lembra, foi a escalada da Guerra Fria que culminou com a separação do mundo em duas esferas de influência - quer o povo dos países sob a tal esfera quisesse ou não. A gente, na América Latina, ficou em geral sob o comando de ditaduras instauradas pela esfera ocidental, capitalista.
É lógico que nossas ainda frágeis instituições parecem um pouco mais sólidas agora do que naquele tempo. Mas não se pode subestimar a maneira como a situação geopolítica mundial pode transformar rapidamente a política interna na América Latina, quintal dos EUA.
Permitam-me uma rápida anedota para ilustrar o quanto me assusta que aqueles dias retornem. Há algum tempo conheci uma moça numa festa aqui em Nova York e posteriormente saímos para jantar. Numa típica exibição de ignorância geopolítica norte-americana ela me disse:
"Você é sul-americano. Nossa, minha melhor amiga na faculdade era a neta do Pinochet."
Engasguei na comida.
"Sua melhor amiga? Você sabe quem foi Pinochet?"
Ela, inocentemente:
"Ele foi presidente do Chile, né?!"
Desatei a falar, subindo o tom de voz.
"Presidente do Chile? O avô da sua amiga foi um assassino que reuniu 5000 pessoas num estádio e as executou sumariamente."
Ela encolheu e disse timidamente:
"Ai, ela não tem nada a ver com o que ele fez. E quem pagava a escola dela (Cornell, caríssima!) era o pai dela que era metido com finanças."
Respondi:
"Com dinheiro que ele roubou do povo chileno. Olha você me perdoa porque você não entende. Seu país nunca viveu uma ditadura. Você não sabe o que é ter medo de reunir mais de três amigos para bater papo porque a polícia pode levar vocês por suspeita de estarem organizando alguma atividade política. Aliás, não só seu país nunca teve isso, foi seu país que patrocinou a ditadura no meu país e no Chile!"
Foi nosso primeiro e último encontro.
E o tenebroso episódio do Estádio Chile faz 35 anos em 2008. Assim como a Primavera de Praga está fazendo 40 anos ao mesmo tempo em que uma Rússia sob o comando do ex-KGB Vladimir Putin invade a Geórgia numa macabra memória dos dias em que os tanques russos tomaram a República Tcheca.
Causa medo também que o ex-embaixador da Inglaterra nos EUA Sir Christopher Meyer tenha sugerido num artigo no Times de Londres na semana passada que o mundo voltasse ao Congresso de Viena que dividiu a Europa em esferas de influência. Naquela ocasião, a Rússia ficou com a Finlândia que havia anexado da Suécia e com a Polônia. Eu nem quero imaginar o que aconteceria se uma nova versão da decisão do Congresso fosse instituída.
Não posso deixar de notar também que um dos maiores admiradores do Congresso de Viena foi Henry Kissinger, cuja tese de doutorado foi sobre o assunto.
Eu só espero que nossas nascentes democracias sobrevivam às mudanças recentes.
É lógico, estes são tempos de internet, diferentes. E, enquanto em 1968 os negros iam à luta aqui nos EUA por seus direitos civis, hoje há uma forte possibilidade de vermos um presidente negro. Também, ao contrário do que aconteceu em 1968 com a República Tcheca, dessa vez os tanques russos não foram até Tblisi, a capital da Geórgia.
Mas não consigo deixar de ver emergir a sombra de um monstro que cheguei a crer enterrado.
Foto: Reuters - 2003

Tuesday, August 26, 2008

Os privilégios do IOF

Mais uma daquelas lindas aberrações fiscais que só o Brasil consegue criar.
Em janeiro passou o decreto 6.339, seguido pelo 6.391 de março que aumentou as alíquotas de IOF para uma variedade de operações financeiras. Entre outras coisas, aumentou o custo das operações de cartão de crédito de 2% para 2.38% e das operações de financiamento imobiliário de 1.5% a até 3% e elevou o imposto sobre o plano de saúde a 2.38%.
O que não mudou, de acordo com estudo da Ernst & Young, foi a cobrança de até 1.5% sobre empréstimos bancários a empresas. E a Andima me informa que também não mudou a isenção de cobrança de IOF sobre emissão de debêntures.
Eu pessoalmente acho que operações de crédito não deviam pagar imposto, já que você onera o tomador de crédito, que, sendo pessoa física está apertado de dinheiro, sendo empresa está investindo, portanto ajudando o país a crescer.
Contudo, já que se cobra, então que seja uma cobrança equânime. O resultado dessa aberração é que as empresas que precisam de mais de R$100m estão indo aos bancos pedir empréstimo e estão saindo com uma emissão de debêntures indivisíveis, como ficaram conhecidas.
Em outras palavras: a empresa pega um empréstimo bancário sindicado, mas registra a operação com a CVM como se fosse uma debênture para evitar o 1.5% do IOF. De fato, a economia não é desprezível. No caso acima, é R$1.5 milhão que a empresa deixou de pagar ao governo.
Há exemplos suficientes da prática. A Comgas fez uma operação de R$150m comprada pelo Bradesco e emitida como debenture, a Nova America fez o mesmo com o Itaú e por aí vai.
Fico feliz que resta uma saída para essas empresas se financiarem sem pagar tanto ao governo. Mas não consigo deixar de pensar: e a pequena e média empresa, onde vai se levantar g? Só tem o empréstimo bancário, já que eles não têm escala para emitir debêntures.
Ou seja, de novo, a lei do IOF está protegendo o grande e ferrando o pequeno.
Mas minha picuinha com a IOF não acaba por aí. Depois que eliminaram a CPMF a IOF mudou de objetivo completamente.
Para quem não se lembra, quando há alguns anos se discutiu a isenção do IOF sobre depósitos judiciais, um dos ministros do STF argumentou que o imposto não era arrecadatório, mas sim de política econômica. Ou seja, ele deveria ser utilizado como mais um instrumento para limitar a concessão de crédito e, portanto, reduzir o crescimento, quando o Banco Central precisasse de uma ajudinha para controlar a inflação.
Atualmente, o imposto é decididamente arrecadatório. E, como sempre, quem tem mais dinheiro consegue pagar bons consultores e não precisa pagá-lo.
Ah, e não se esqueçam, partidos políticos e sindicatos não sofrem desse problema já que este ano o governo generosamente os isentou do IOF.
Ê país....

Friday, August 15, 2008

Emprego? Procura na loja de penhores.

Acabo de ler um dado muito interessante que é boa evidência do momento que vive a economia americana. Enquanto o resto da economia está cortando postos, o número de empregos gerados por empresas de leilões e lojas de penhores aumentou mais de 5% nos últimos doze meses.
Pode ser que eu esteja fazendo uma leitura meio fantástica do dado mas para mim, e para o economista da Merrill Lynch que trouxe o dado à tona em um relatório, isso significa que o americano está vendendo o que pode para pagar o cartão de crédito e a hipoteca.
É o que parece mesmo. Basta olhar no Craigslist. Sem a possibilidade de fazer um bico para pagar a diferença já que trabalho não está mais sobrando como antes, o que mais tem é "garage sales," que aí no Brasil a gente conhece como "família vende tudo."
A boa nova desse dado é que ele significa que, ao contrário do que muitos pensavam, o americano não está simplesmente pendurando a conta do financiamento imobiliário. Isso deve-se em parte a uma polêmica mudança na legislação de falência individual que o governo Bush fez há alguns anos - parece que ele já estava prevendo.
Mas, para mim, o mais interessante é que essa crise toda - do petróleo e da economia - está mudando os hábitos dos americanos. Deus queira que seja uma mudança definitiva.
A cultura do consumismo, do supérfluo e a inclusão das três camionetes na garagem como parte do sonho americano estão dando lugar a carros econômicos e híbridos e a uma consciência de ter o mínimo na casa - já que é melhor vender o resto e pagar a hipoteca para não perder a própria casa.
E é disso que os árabes e os chineses tem de ter medo. Eles são os que mais vão sofrer se o americano deixar de ser consumista e gastador.

Monday, August 11, 2008

Cristina Kirchner dobrou. Pera lá... Será mesmo?

A pressão foi tanta que ela dobrou. Depois que o mundo inteiro bateu na Argentina o fim-de-semana todo dizendo que o país poderia ser forçado a declarar outra moratória e os títulos globais e as opções usadas para proteger investimentos na dívida do país atingiram níveis de país em moratória, a presidente dobrou. Hoje o Ministério da Economia anunciou que vai recomprar títulos com vencimento em 2008 e 2009.
De imediato, os credit-default swaps de cinco anos, as tais opções para fazer hedge contra uma moratória, da Argentina apertaram 50 pontos básicos voltando a 800 pontos básicos. Isso significa que alguém que invista US$1 milhão em títulos argentinos e queira proteger o investimento terá de pagar US$8.000 para comprar o "seguro". Na sexta-feira, estavam batendo em 900.
Que bom, finalmente ela ouviu a voz da razão. Será? É dos Kirchner que estamos falando aqui. Alguma coisa está errada. E está.
De acordo com os jornais locais, o Ministério quer recomprar dívida que vence em 2008e 2009. Mas esses são os anos justamente em que há muito pouca dívida ainda circulando. Sem contar que é uma estratégia estúpida, já que eles teriam de pagar um prêmio para recomprar uma dívida prestes a vencer quando é mais simples e barato apenas pagá-la no vencimento.
E aí tem o outro porém. Hoje sai o número oficial de inflação da Argentina. Anunciando a recompra, o governo Kirchner tira o foco da atenção da fraude que eles têm cometido com o acompanhamento dos preços. Lógico, se em cima de toda a conversa sobre moratória viessem mais notícias sobre fraude na inflação, os títulos de dívida do país iam pro brejo. Ou melhor, afundavam de vez, porque no brejo já estão.
Muito espertos esses Kirchner. Mas vamos ver até quando eles sustentam essa conversa fiada.

Friday, August 8, 2008

Argentina a caminho da moratória. De novo.

Pode me chamar de xenófobo, mas não dá para negar: argentino é arrogante. Eles estão apanhando há sete anos do mercado e as finanças públicas do país estão prestes a atingir um ponto crítico. Ainda assim, Cristina Kirchner continua a querer dar uma de durona. A verdade é que, não fosse Hugo Chávez e uma política velada de sacar dinheiro de "poupanças" do Banco Central e outras instituições do setor público e de forçar o INSS deles a comprar dívida do governo, a Argentina já teria entrado em outra crise como à que levou à moratória em 2002.
Tudo bem, o país está crescendo adoidado e o governo tem um superávit primário considerável. Mesmo assim, eles continuam precisando de dinheiro, e a julgar pela última venda de títulos que fizeram à Venezuela, vão precisar de mais ainda à medida que o governo dos Kirchner aumenta gastos para tentar recuperar a popularidade. Sem falar que os tempos de commodities a preço recorde estão acabando.
De acordo com um relatório que vi hoje do Lehman Brothers, a situação começa a ficar crítica em 2010, quando, mesmo tirando tudo o que podem das instituições públicas, o governo federal argentino precisa de mais de US$6.5 bilhões. Não sei se o Hugo Chávez vai querer dar tanto dinheiro assim à Argentina quando ele próprio vai estar preocupado com a reeleição. Nem mesmo com os juros de 15.5% que os argentinos lhe ofereceram numa transação recente.
Até lá, muita água vai rolar. Se Cristina Kirchner tomar jeito agora, quem sabe ainda consegue algum apoio do mercado internacional na hora do sufoco. Não precisa muito - investor estrangeiro tem memória curta. Contudo, por enquanto, a única coisa que ela tem feito é refrescar a lembrança do maior calote da história.
Há, pelo menos, um consolo. Se houver outra moratória, quem mais vai sofrer vai ser o investidor da própria Argentina, já que o grosso da dívida deles agora é interna. Seria bem-feito.