Pouca gente percebeu o quanto estivemos perto do colapso dos mercados na sexta-feira passada, 11 de julho. Num único dia, as ações das duas agências de financiamento imobiliário do governo americano (que hoje são instituições privadas), caíram 50% e voltaram ao nível anterior.
O governo agiu rápido, prometendo emprestar dinheiro a Fannie Mae e Freddie Mac, as tais agências. Mas, poucas horas depois de o mercado fechar, o segundo maior banco privado de empréstimo imobiliário para pessoas com histórico de crédito um pouco suspeito, o Indy Mac, ficou sob intervenção federal.
Por volta do meio-dia eu liguei para um trader para saber como estava o mercado de renda-fixa. A resposta dele: "Você já viu alguém pulando da janela por aí? Eu só estou esperando começar a chover gente." Ele não estava brincando.
A essa altura, a indústria dos rumores em Wall Street estava a todo vapor e ouvi de tudo no decorrer do dia. Os mais otimistas me diziam que o HSBC estava prestes a comprar o Lehman Brothers por um valor simbólico de US$5, e os profetas do apocalipse diziam que o Tesouro dos EUA estava para ter sua classificação de crédito rebaixada. Se isso acontecesse, a quinta-feira negra de 1929 seria lembrada como um dia feliz.
Durante o fim de semana, todos sabiam que o governo estava se mexendo para acalmar não só os mercados, mas também as pessoas. Ainda assim, achei que ia acordar na segunda-feira e ver enormes filas de correntistas tentando retirar seu dinheiro dos bancos, como na Argentina em 2002.
Não aconteceu. Tudo estava normal na segunda, excluindo, logicamente, as filas na frente do Indy Mac.
No fim, parece que realmente o secretário do Tesouro Henry Paulson e o presidente do Fed Ben Bernanke conseguiram evitar que o sistema financeiro americano fosse pro brejo.
Mas será que eles conseguiram mesmo?
Thursday, July 17, 2008
Quase 1929
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